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A UTILIDADE DA TPM.




Durante o ciclo menstrual, o corpo feminino se transforma em silêncio.
Sem alarde, ele constrói.
Constrói paredes uterinas com a precisão de quem espera por algo sagrado: a possibilidade de gerar.
Mas o que quase ninguém diz — é que essas paredes não são feitas só de células.

A cada dia do ciclo, emoções também são depositadas ali.
Como camadas sutis, quase invisíveis, mas reais:
o olhar que feriu, a palavra engolida, a raiva sufocada, a carência negada,
a exaustão que você fingiu não sentir.

Cada uma dessas sensações encontra um canto dentro do corpo.
E o útero, esse templo de construção e dissolução, vai acolhendo tudo — como quem espera que talvez não doa.

Mas o corpo sabe.
E quando ele percebe que não haverá fecundação, ele não descarta apenas tecido.
Ele libera também aquilo que foi calado.

A TPM, então, não é apenas um desequilíbrio hormonal.
Ela é o grito das emoções não vividas.
É o transbordamento das sensações que você foi guardando ao longo do mês,
porque não dava tempo, porque não cabia, porque não parecia importante.

A irritação que surge não é nova — ela estava ali.
A tristeza que escorre não é dramática — é legítima.
A vontade de sumir não é loucura — é pedido de espaço.

A tensão pré-menstrual pode ser compreendida como um processo de descamação emocional.
Assim como o corpo libera o que não será mais usado, a alma também quer se limpar.

Por isso, a menstruação é um portal.
Um tempo de purificação, de renúncia, de retorno à sua casa interna.
É o momento em que você sangra o que não precisa mais carregar.

E se você começar a ouvir esse chamado com mais carinho,
vai perceber que seu corpo não é um problema a ser resolvido,
mas um oráculo a ser honrado.

Então, quando a TPM vier…
não lute contra.
Sente. Respire. Escreva. Chore.
Crie seu espaço sagrado, silencie o mundo, e pergunte ao seu ventre:
“O que eu ainda não estou querendo ver?”

Porque às vezes, a cura não está em parar o sintoma —
mas em permitir que ele fale.



A ansiedade quer te mostrar algo.

Numa cerimônia do Santo Daime, durante o intervalo de um bailado, eu tive uma crise de pânico. Foi um infernal — uma sensação de estar afundando num abismo escuro, sem ar, sem chão, como se eu fosse explodir por dentro. Naquele momento, só sentia o caos, não entendia nada. O coração disparado, a mente louca, um medo que parecia maior que eu.

Só depois, começando a respirar e pensar, veio a clareza. Essa crise não nasceu do nada. Ela foi o ápice de um acúmulo silencioso — um acúmulo de medo, cobrança, repressão e julgamento que eu venho carregando dentro de mim há um, dois anos, talvez mais.

Do ponto de vista neurológico, o que rolou no meu cérebro foi uma hiperativação da amígdala, aquela região que dispara o sinal de alerta, de medo, de perigo iminente. O cortisol, hormônio do estresse, subiu às alturas, e meu corpo entrou em modo “luta ou fuga” total, mesmo sem uma ameaça real externa. É o corpo preso num loop de alerta, tentando liberar essa energia represada.

Na psicanálise, essa crise é como um corpo falando o que a mente censura. É o inconsciente gritando que algo está sendo ignorado demais — emoções reprimidas, desejos sufocados, dores antigas que a gente tentou enterrar. O pânico é o grito que ultrapassa a censura do ego, é o que fica guardado no corpo quando não tem lugar pra ser falado.

E na perspectiva energética, essa crise é uma liberação súbita e explosiva da energia acumulada, que não teve espaço para fluir. A gente vive num mundo que reprime o sentir profundo, que desvaloriza o caos interno, e isso cria bloqueios que a energia vital precisa romper. A crise é esse rompimento forçado, um tsunami interno que sacode tudo, para depois, quem sabe, renovar.

Entender isso me deu poder. Porque não é fraqueza, não é drama. É o corpo me mostrando que esse sistema interno está sobrecarregado e pede ajuda. Que as emoções que evitei sentir estão pedindo passagem.

O que aprendi é que o corpo fala a linguagem do sentir, o inconsciente fala na linguagem dos símbolos e da repressão, e o sistema nervoso reage com tempestades quando não há escuta.

Então, a saída não é empurrar a crise pra baixo, fingir que está tudo bem, nem depender só de remédios ou estratégias superficiais. É acolher o que está guardado, olhar de frente para o medo e para a dor, criar espaço para sentir, para respirar, para transformar essa energia em algo que me fortalece, e não que me destrói.

A crise, a ansiedade, o pânico… são convites urgentes para desacelerar, para cuidar da mente, do corpo e da alma, para reconstruir um espaço interno seguro onde eu possa habitar plenamente.

Depois daquela crise, algo mudou em mim. Eu comecei a entender que o verdadeiro trabalho está na escuta profunda, no acolhimento sem julgamentos, na presença amorosa com o meu próprio caos.

E aí, o medo começa a perder força. O corpo começa a relaxar. A vida volta a fluir.


O que atraímos no outro, fala sobre a gente.

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